Comprar moradia em Portugal: preços de moradias e apartamentos, terreno e impostos

Atualizado: · RE/MAX Extra

Em resumo

  • Em setembro de 2026, o valor mediano de avaliação bancária das moradias em Portugal foi de 1 621 €/m²; o dos apartamentos, de 2 662 €/m² (INE).
  • Num ano, as moradias valorizaram 11,1% e os apartamentos 15,4%.
  • As moradias mais caras estão na Grande Lisboa (2 942 €/m²) e no Algarve (2 835 €/m²).
  • Nos concelhos de Lisboa, Oeiras, Cascais e Porto, o metro quadrado de uma moradia custa quase o mesmo que o de um apartamento; em Viseu, Aveiro, Coimbra e Castelo Branco, a moradia fica um terço mais barata ou mais.
  • Um prédio rústico paga 5% de IMT e 0,8% de IMI; num prédio misto, cada parte paga o IMI à sua própria taxa.

Este artigo compara moradias e apartamentos: quanto custa o metro quadrado de uma moradia segundo as avaliações bancárias do INE, onde a moradia sai mais barata do que o apartamento, o que há neste momento no catálogo e o que muda nos impostos quando se compra uma casa com terreno. Os passos da compra são os mesmos para um apartamento e para uma moradia e estão explicados no artigo «Como comprar casa em Portugal sendo estrangeiro».

Quanto custa uma moradia: avaliações bancárias de setembro de 2026

A estatística trimestral do INE sobre os preços das transações, que usamos nas nossas análises de zonas, não separa moradias de apartamentos. Essa separação existe noutra estatística: as avaliações bancárias à habitação, feitas quando se pede crédito habitação. Em setembro de 2026, o valor mediano de avaliação de uma moradia no país foi de 1 621 €/m² e o de um apartamento de 2 662 €/m². Num ano, as moradias valorizaram 11,1% e os apartamentos 15,4%.

RegiãoMoradia, €/m²Var. anualApartamento, €/m²Var. anualAvaliações de moradias em 3 meses
Portugal1 621 €/m²+11,1%2 662 €/m²+15,4%12 316
Grande Lisboa2 942 €/m²+7,8%3 525 €/m²+16,5%907
Algarve2 835 €/m²+14,0%3 010 €/m²+9,9%491
Península de Setúbal2 708 €/m²+14,7%2 873 €/m²+19,0%846
Madeira2 347 €/m²+20,3%2 918 €/m²+15,3%347
Oeste e Vale do Tejo1 661 €/m²+13,6%2 000 €/m²+21,4%1 558
Norte1 551 €/m²+12,0%2 232 €/m²+17,1%4 391
Açores1 524 €/m²+10,5%2 409 €/m²+16,1%499
Alentejo1 284 €/m²+12,7%1 739 €/m²+9,8%857
Centro1 172 €/m²+8,4%1 748 €/m²+15,6%2 420

As moradias mais caras estão na Grande Lisboa (2 942 €/m²) e no Algarve (2 835 €/m²); as mais baratas, no Centro (1 172 €/m²). Onde as moradias mais valorizaram num ano foi na Madeira (+20,3%).

Como ler estes números. São avaliações, não preços de venda: são feitas pelos bancos nos pedidos de crédito habitação, por isso as compras sem crédito ficam de fora. O INE considera habitações com área entre 35 e 600 m² e calcula o valor de cada mês com as avaliações desse mês e dos dois anteriores. Os dados vêm de sete bancos, que concentram cerca de 90% do novo crédito habitação. Quando há menos de 33 avaliações, o INE não publica o valor.

Onde a moradia é mais barata do que o apartamento

No total do país, o metro quadrado de uma moradia é mais de um terço mais barato do que o de um apartamento. Mas esta média junta realidades muito diferentes. Na Grande Lisboa, as moradias representam 14% das avaliações bancárias; no Centro, 55%; no Alentejo, 66%: as moradias são avaliadas com mais frequência onde a habitação já é mais barata. Dentro do mesmo concelho, a diferença é outra.

ConcelhoMoradiaApartamentoMoradia face ao apartamento
Lisboa4 821 €/m²4 773 €/m²+1,0%
Oeiras4 016 €/m²4 001 €/m²+0,4%
Cascais3 981 €/m²4 112 €/m²−3,2%
Porto3 226 €/m²3 366 €/m²−4,2%
Loulé3 179 €/m²3 542 €/m²−10,2%
Almada3 039 €/m²3 306 €/m²−8,1%
Sintra2 991 €/m²3 022 €/m²−1,0%
Faro2 853 €/m²2 983 €/m²−4,4%
Albufeira2 838 €/m²3 195 €/m²−11,2%
Sesimbra2 763 €/m²2 853 €/m²−3,2%
Loures2 704 €/m²3 325 €/m²−18,7%
Seixal2 686 €/m²2 986 €/m²−10,0%
Portimão2 649 €/m²2 989 €/m²−11,4%
Mafra2 624 €/m²2 833 €/m²−7,4%
Setúbal2 613 €/m²2 782 €/m²−6,1%
Silves2 577 €/m²2 858 €/m²−9,8%
Funchal2 573 €/m²3 397 €/m²−24,3%
Palmela2 558 €/m²2 496 €/m²+2,5%
Matosinhos2 438 €/m²3 122 €/m²−21,9%
Évora2 203 €/m²2 331 €/m²−5,5%
Vila Nova de Gaia2 109 €/m²2 518 €/m²−16,2%
Torres Vedras2 083 €/m²2 679 €/m²−22,2%
Maia2 042 €/m²2 479 €/m²−17,6%
Ponta Delgada1 941 €/m²2 546 €/m²−23,8%
Gondomar1 903 €/m²2 293 €/m²−17,0%
Braga1 748 €/m²2 175 €/m²−19,6%
Coimbra1 609 €/m²2 456 €/m²−34,5%
Aveiro1 515 €/m²2 329 €/m²−35,0%
Guimarães1 450 €/m²1 819 €/m²−20,3%
Leiria1 385 €/m²1 812 €/m²−23,6%
Viseu1 161 €/m²1 821 €/m²−36,2%
Castelo Branco879 €/m²1 318 €/m²−33,3%

A diferença fica abaixo de 5% em Lisboa, Oeiras, Cascais, Porto, Sintra, Faro, Sesimbra e Palmela: aqui, o metro quadrado de uma moradia custa mais ou menos o mesmo que o de um apartamento. Em 15 dos concelhos da tabela, a moradia custa pelo menos 15% menos, com destaque para Viseu (−36,2%), Aveiro (−35,0%) e Coimbra (−34,5%). Os valores são medianas de setembro de 2026 (avaliações de julho a setembro), INE, tipos de construção «moradias» e «apartamentos».

O que há no catálogo

Neste momento, o catálogo tem 10 030 moradias à venda e 11 691 apartamentos. O preço mediano de uma moradia é de 355 000 €; o de um apartamento, 395 000 €. Mas a moradia é bem maior: a área mediana é de 167 m², contra 103 m² no apartamento. A área do terreno está indicada em 7 417 moradias, com uma mediana de 513 m². Há 5 929 moradias T3–T4 e 1 715 com cinco ou mais quartos.

ConcelhoMoradiasPreço medianoMediana por m²Área da moradiaTerreno
Cascais3821 540 000 €6 364 €/m²238 m²439 m²
Oeiras931 410 000 €6 106 €/m²239 m²475 m²
Lisboa891 350 000 €7 000 €/m²234 m²278 m²
Loulé1191 200 000 €5 171 €/m²240 m²953 m²
Albufeira80997 000 €4 757 €/m²202 m²778 m²
Faro50924 500 €4 704 €/m²204 m²797 m²
Sintra270850 000 €4 104 €/m²218 m²546 m²
Portimão75780 000 €3 808 €/m²204 m²529 m²
Almada140755 000 €4 899 €/m²186 m²500 m²
Mafra129750 000 €3 615 €/m²196 m²467 m²
Porto119695 000 €4 059 €/m²201 m²248 m²
Matosinhos70658 500 €3 226 €/m²203 m²284 m²
Setúbal97650 000 €3 750 €/m²180 m²431 m²
Loures69614 500 €3 151 €/m²192 m²395 m²
Palmela77610 000 €3 654 €/m²187 m²750 m²
Seixal98587 500 €3 466 €/m²173 m²431 m²
Silves68579 500 €3 292 €/m²162 m²1 000 m²
Sesimbra76577 500 €3 682 €/m²169 m²470 m²
Vila Nova de Gaia175551 250 €2 839 €/m²208 m²446 m²
Braga134522 500 €2 312 €/m²230 m²540 m²
Maia84495 500 €2 307 €/m²215 m²446 m²
Torres Vedras155450 000 €2 611 €/m²200 m²440 m²
Aveiro59425 000 €2 374 €/m²200 m²750 m²
Gondomar66415 000 €2 475 €/m²163 m²454 m²
Leiria112412 500 €2 331 €/m²163 m²654 m²
Ponta Delgada77395 000 €2 242 €/m²194 m²397 m²
Guimarães129375 000 €2 154 €/m²190 m²621 m²
Évora41295 000 €3 081 €/m²97 m²200 m²
Coimbra121290 000 €2 231 €/m²134 m²464 m²
Viseu72183 500 €1 714 €/m²150 m²555 m²
Castelo Branco4170 000 €700 €/m²110 m²182 m²

Entre estes concelhos, os mais baratos são Castelo Branco (70 000 €), Viseu (183 500 €) e Coimbra (290 000 €). São preços de anúncio, não de venda nem de avaliação bancária, por isso o metro quadrado fica acima dos valores do INE: o anúncio mostra o preço que o vendedor pede. A mesma moradia é muitas vezes anunciada por várias agências da rede; essas repetições foram contadas uma só vez, e os anúncios abaixo de 30 000 € não entraram nas contas. O terreno é a mediana das moradias que o indicam.

O terreno: prédio urbano, rústico ou misto

Uma moradia tem quase sempre terreno, e para os impostos conta a forma como o imóvel está inscrito na matriz predial. Há duas matrizes: uma para os prédios urbanos e outra para os rústicos. Uma moradia é um prédio urbano habitacional. Um prédio rústico é sobretudo um terreno situado fora de um aglomerado urbano e destinado à agricultura, à silvicultura ou à pecuária, bem como as construções diretamente afetas a essas atividades.

Se o imóvel tiver uma parte rústica e uma parte urbana, classifica-se pela parte principal. Quando não é possível dizer qual é a principal, o prédio é misto. Pode ser o caso de uma quinta em que a casa de habitação e o terreno agrícola têm o mesmo peso.

  • IMT na compra. Prédio rústico: 5% do preço. Prédio urbano habitacional: tabela progressiva, como um apartamento; um não residente paga 7,5% sobre todo o valor. Se se tornar residente fiscal no prazo de dois anos a contar da compra, ou se, no prazo de seis meses, der a casa de arrendamento para habitação com uma renda que não exceda o limite fixado na lei (e a mantiver arrendada pelo menos 36 meses nos primeiros cinco anos), a Autoridade Tributária anula, a seu requerimento, a diferença face à tabela normal. O requerimento é apresentado no prazo de seis meses a contar da data em que o comprador se tornou residente ou celebrou o contrato de arrendamento. Pode fazer as contas no simulador de IMT; os pormenores estão no artigo «Impostos sobre imóveis».
  • IMI todos os anos. Parte rústica: 0,8% do valor patrimonial tributário; parte urbana: de 0,3 a 0,45%, com a taxa dentro deste intervalo fixada pelo município. Num prédio misto, cada parte paga à sua taxa.
  • AIMI. O adicional ao IMI sobre imóveis de valor elevado incide apenas sobre prédios urbanos; os terrenos rústicos não entram na base.
  • Casa devoluta e ruína. Nos prédios urbanos devolutos há mais de um ano e nos prédios em ruínas, a taxa de IMI é triplicada, salvo quando o estado de conservação foi motivado por desastre natural ou calamidade. Se só uma parte da casa estiver devoluta e o prédio não estiver constituído em propriedade horizontal, o agravamento incide apenas sobre o valor patrimonial tributário dessa parte. Isto conta se comprar uma moradia para reconstruir e não começar logo as obras.

O que consta da matriz vê-se na caderneta predial: o tipo de prédio, as suas características e o valor patrimonial tributário. Para a propriedade, a caderneta não faz prova: a inscrição na matriz só presume a titularidade para efeitos fiscais. A propriedade e os ónus verificam-se na certidão permanente do registo predial. Os restantes documentos, como a licença de utilização e o certificado energético, são os mesmos de um apartamento; a lista está no artigo passo a passo sobre a compra.

Custos depois da compra

As taxas de IMI por concelho, o seguro e os outros custos fixos estão explicados no artigo «Custos de manter um imóvel». Se comprar a moradia com crédito habitação, o banco fará precisamente a avaliação de que falámos acima; as condições para não residentes estão no artigo «Crédito habitação para não residentes».

Onde procurar

Moradias por concelho: Lisboa, Cascais, Sintra, Seixal, Porto, Braga, Loulé. Análises de zonas: Lisboa, Cascais e a linha de costa, Porto, Algarve. Tem perguntas sobre uma moradia concreta? Use o formulário de contacto.

Perguntas frequentes

Quanto custa o metro quadrado de uma moradia em Portugal?

Segundo as avaliações bancárias do INE de setembro de 2026, 1 621 €/m² no total do país; 2 942 €/m² na Grande Lisboa, 2 835 €/m² no Algarve e 1 172 €/m² no Centro.

Uma moradia é mais barata do que um apartamento?

Por metro quadrado, no total do país, sim: 1 621 €/m² contra 2 662 €/m². Mas em Lisboa, Oeiras, Cascais e Porto a diferença fica abaixo de 5%. E a moradia é maior: no catálogo, a área mediana é de 167 m² na moradia e de 103 m² no apartamento; o preço mediano, de 355 000 € e 395 000 €.

O que é um prédio misto?

Um imóvel com uma parte rústica e uma parte urbana em que nenhuma pode ser considerada a principal, por exemplo uma casa com terreno agrícola. O IMI é calculado para cada parte em separado: 0,8% na parte rústica e 0,3–0,45% na urbana.

Um não residente paga 7,5% de IMT por uma moradia com terreno?

A taxa de 7,5% aplica-se aos prédios urbanos habitacionais. A compra de um prédio rústico paga a taxa de 5%. As exceções estão no n.º 10 do artigo 17.º do Código do IMT: se o comprador já tiver sido residente fiscal, a taxa de 7,5% não se aplica; se se tornar residente no prazo de dois anos ou der a casa de arrendamento nas condições da lei, a diferença é anulada a seu requerimento (n.os 11 e 12).

Porque é que alguns concelhos não aparecem na tabela do INE?

O INE não publica o valor quando há menos de 33 avaliações. Nos concelhos mais pequenos, isso acontece muitas vezes só com as moradias ou só com os apartamentos.

Fontes

Este artigo é meramente informativo e não constitui aconselhamento jurídico ou fiscal. As taxas e regras mudam — confirme sempre nas fontes oficiais e com um profissional.