Empreendimentos novos acessíveis em Portugal: onde encontrar um T0 ou T1 novo e quanto custa

Atualizado: · RE/MAX Extra

Em resumo

  • O catálogo tem 1 256 apartamentos T0 e T1 novos; o preço mediano é de 317 750 € e 149 custam até 200 000 € (a 28/10/2026).
  • A maior oferta de construção nova está no Porto (mediana de 297 500 €) e em Lisboa (mediana de 548 750 €); a mais barata fica no norte e no centro do país.
  • Nos 12 municípios comparados, um T0 ou T1 novo é sempre mais caro por metro do que a transação mediana do INE: +41% no Porto e +66% em Lisboa.
  • O dinheiro entregue num contrato-promessa conta como sinal: se o vendedor faltar ao contrato, o comprador pode exigir o dobro (artigos 441.º e 442.º do Código Civil).
  • Um vendedor profissional, como um promotor, responde perante o comprador particular durante 10 anos por defeitos estruturais e 5 anos pelos restantes (artigo 23.º do DL 84/2021).

Um apartamento novo em Portugal nem sempre é uma compra cara, mas também não é barata: tudo depende da cidade. Vemos aqui quanto custam hoje os estúdios (T0) e os apartamentos de um quarto (T1) novos do nosso catálogo, onde há mais e onde são mais baratos, como se comparam com os preços de venda das estatísticas oficiais e o que precisa de saber para comprar um apartamento num prédio ainda em construção.

O que consideramos construção nova e como fizemos as contas

Os números abaixo vêm dos anúncios de venda de apartamentos T0 e T1 do nosso catálogo a 28/10/2026. Consideramos construção nova um apartamento que pertença a um empreendimento, ou que tenha sido construído em 2025 ou depois, ou que esteja marcado como «Novo» e tenha sido construído em 2023 ou depois (ou não tenha ano de construção indicado). A marca «Novo» por si só não chega: também é usada em apartamentos remodelados em prédios antigos.

O mesmo apartamento é muitas vezes anunciado por várias agências da rede, por isso os anúncios com o mesmo preço, a mesma área e o mesmo número de quartos no mesmo município contam como um só apartamento. Os anúncios abaixo de 50 000 € não contam: são erros de introdução, não apartamentos.

Os preços do catálogo são preços pedidos: o que os vendedores pedem agora. O preço final da venda pode ser outro. O catálogo é atualizado todos os dias, por isso os números nas páginas das cidades podem diferir ligeiramente das tabelas deste artigo.

Quanto custam os T0 e T1 novos no país

No total, o catálogo tem 1 256 apartamentos T0 e T1 de construção nova, dos quais só 29 são T0; os restantes são T1. O preço mediano é de 317 750 €, o preço mediano por metro quadrado é de 5 123 €/m² e a área mediana de um T1 é de 64 m².

OrçamentoT0 e T1 novos no catálogoPercentagem
até 150 000 €5menos de 1%
até 200 000 €14912%
até 250 000 €32526%
até 300 000 €56845%
todos1 256100%

O apartamento novo mais barato do catálogo custa agora 86 500 €, mas são casos raros: abaixo de 150 000 € há 5 apartamentos. Mais de metade dos T0 e T1 novos (688 de 1 256) custa mais de 300 000 €. Todos os T0 e T1 novos do país, do mais barato para o mais caro, estão na página apartamentos T0 e T1 novos em Portugal.

Onde há mais construção nova

Há mais T0 e T1 novos no Porto (200) e em Lisboa (174), mas os preços são muito diferentes. No Porto, a mediana é de 297 500 € e até 250 000 € encontram-se 37 apartamentos. Em Lisboa, a mediana é de 548 750 € e abaixo de 250 000 € há 5 apartamentos em 174.

MunicípioApartamentosPreço desdeMedianaAté 250 000 €
Porto200189 000 €297 500 €37
Lisboa174200 000 €548 750 €5
Portimão79235 000 €378 000 €9
Vila Nova de Gaia78220 000 €290 000 €7
Almada44260 000 €334 000 €0
Matosinhos43211 850 €299 000 €10
Paços de Ferreira43156 000 €179 900 €43
Lagos38495 000 €587 500 €0
Loures36285 000 €411 550 €0
Aveiro34251 000 €300 000 €0
Sesimbra31295 000 €506 000 €0

No Algarve (distrito de Faro), a construção nova é cara: em Lagos não há T0 nem T1 novos abaixo de 495 000 € e em Portimão a mediana é de 378 000 €. Em Almada e no Seixal (distrito de Setúbal), a mediana é mais baixa do que em Lisboa, 334 000 € e 385 000 €, mas o catálogo não tem ali apartamentos novos até 250 000 €. À volta do Porto, em Vila Nova de Gaia e Matosinhos, a mediana ronda os 290 000–300 000 €, quase como no próprio Porto.

Onde a construção nova é mais barata

A construção nova mais barata fica no norte e no centro do país. Abaixo estão os municípios em que o preço mediano de um T0 ou T1 novo não passa de 250 000 € (e em que o catálogo tem pelo menos oito apartamentos diferentes).

MunicípioApartamentosPreço desdeMedianaAté 200 000 €
Valença8140 000 €159 250 €8
Vila Nova de Cerveira19169 000 €179 000 €17
Paços de Ferreira43156 000 €179 900 €37
Tondela16165 000 €185 000 €16
Vila Nova de Famalicão8160 000 €186 250 €6
Gondomar8187 900 €201 900 €4
Condeixa-a-Nova11200 000 €220 000 €1
Braga19170 000 €225 000 €5
Lousada10205 000 €225 000 €0
Santa Maria da Feira9215 000 €225 000 €0
São João da Madeira10192 000 €241 600 €2
Guimarães8210 000 €243 000 €0

A maior oferta de construção nova barata está em Paços de Ferreira, no distrito do Porto: 43 apartamentos, mediana de 179 900 € e 37 até 200 000 €. Ainda mais baratos, mas com menos escolha, são Valença (159 250 €) e Vila Nova de Cerveira (179 000 €), no distrito de Viana do Castelo, e Tondela (185 000 €), no distrito de Viseu.

Por distrito

DistritoT0 e T1 novosMedianaAté 200 000 €
Porto421281 750 €54
Lisboa243499 000 €1
Faro133400 000 €0
Setúbal121354 000 €0
Aveiro78260 500 €12
Coimbra58274 000 €5
Braga51220 000 €20
Madeira45400 000 €0
Leiria33280 000 €5
Viana do Castelo31175 000 €27
Viseu27185 000 €19

Nos restantes distritos há poucos T0 e T1 novos no catálogo: 15 apartamentos no total. Dos 149 apartamentos novos até 200 000 € no país, 137 ficam nos distritos do Porto, Braga, Viana do Castelo, Viseu, Aveiro e Coimbra; nos distritos de Lisboa, Setúbal e Faro quase não existem.

Construção nova e mercado: comparação com os preços de venda do INE

O Instituto Nacional de Estatística (INE) publica o preço mediano por metro quadrado de todas as vendas de habitação em cada município. No país, nos 12 meses até junho de 2026, foi de 2 264 €/m². A comparação com os preços dos T0 e T1 novos do catálogo mostra quanto mais cara é a construção nova em relação à habitação média da mesma cidade.

MunicípioT0 e T1 novos, mediana pedidaTodas as vendas, mediana INE (12 meses até junho de 2026)Diferença
Lisboa8 605 €/m²5 192 €/m²+66%
Portimão5 833 €/m²3 259 €/m²+79%
Aveiro5 459 €/m²2 391 €/m²+128%
Loures5 395 €/m²3 421 €/m²+58%
Porto5 137 €/m²3 631 €/m²+41%
Matosinhos5 000 €/m²3 183 €/m²+57%
Almada4 891 €/m²3 387 €/m²+44%
Braga4 861 €/m²2 199 €/m²+121%
Vila Nova de Gaia4 586 €/m²2 652 €/m²+73%
Coimbra4 455 €/m²2 295 €/m²+94%
Leiria3 993 €/m²1 990 €/m²+101%
Paços de Ferreira2 865 €/m²1 525 €/m²+88%

Nos 12 municípios, um apartamento novo pequeno custa mais por metro do que a venda mediana: a diferença é menor no Porto (+41%) e em Almada (+44%) e maior em Aveiro (+128%) e Braga (+121%). Em parte, isto acontece porque as estatísticas do INE incluem todas as vendas, com casas antigas e apartamentos grandes.

Os números da tabela são de natureza diferente: no catálogo é o preço pedido, no INE é o preço de vendas realizadas. Servem de referência, não de avaliação de um apartamento concreto.

Comprar em construção: contrato-promessa e sinal

Enquanto o prédio está em construção, vendedor e comprador podem assinar um contrato-promessa de compra e venda, a obrigação de celebrar a venda mais tarde. A lei aplica-o expressamente também a apartamentos em prédios em construção ou por construir. As regras estão no Código Civil.

  • Forma. O contrato-promessa de venda de um edifício ou de um apartamento nele, já construído, em construção ou por construir, tem de ser escrito, com reconhecimento presencial das assinaturas, e quem faz o reconhecimento certifica que existe licença de utilização ou de construção (artigo 410.º, n.os 2 e 3).
  • Todo o dinheiro do contrato é sinal. Tudo o que o comprador paga ao vendedor no contrato-promessa conta como sinal, mesmo que lhe chamem adiantamento ou parte do preço (artigo 441.º).
  • Se o contrato não for cumprido. Se for o comprador a desistir por culpa sua, o vendedor fica com o sinal. Se a culpa for do vendedor, o comprador pode exigir o sinal em dobro (artigo 442.º, n.º 2).
  • Execução específica. Em alternativa, a parte sem culpa pode obter em tribunal a própria venda (artigos 442.º e 830.º). Nos contratos-promessa de compra de um apartamento, este direito não pode ser afastado por contrato (artigo 830.º, n.º 3).

Os prazos de entrega, o calendário de pagamentos e as consequências dos atrasos são definidos pelo próprio contrato. Antes de assinar, convém mostrá-lo a um advogado ou solicitador: esta secção resume a lei, não é uma consulta jurídica.

Garantia do apartamento novo

Quando um particular compra casa a um vendedor profissional, seja um promotor ou outra empresa que venda imóveis no âmbito da sua atividade, aplica-se a lei dos direitos do consumidor (Decreto-Lei 84/2021). Para os contratos celebrados a partir de 1 de janeiro de 2022, esta lei fixa os seguintes prazos de responsabilidade do vendedor por faltas de conformidade que se manifestem depois da entrega do apartamento:

  • 10 anos por defeitos em elementos construtivos estruturais (artigo 23.º, n.º 1, alínea a));
  • 5 anos pelas restantes faltas de conformidade (artigo 23.º, n.º 1, alínea b)).

Uma falta de conformidade que se manifeste nestes prazos presume-se já existente à data da entrega do apartamento; em regra, o comprador não tem de o provar (artigo 23.º, n.º 4). O comprador pode exigir a reparação ou substituição gratuita, a redução do preço ou a resolução do contrato (artigo 24.º); os direitos passam para o proprietário seguinte, se o apartamento for vendido. Estes direitos caducam três anos depois de o comprador comunicar o defeito ao vendedor (artigo 25.º). As características de qualidade e segurança da habitação constam da ficha técnica da habitação (artigo 22.º, n.º 3).

O que mais ter em conta

Por onde começar

  1. Defina o orçamento já com os impostos e decida se precisa de crédito.
  2. Escolha cidades nas tabelas e abra as respetivas páginas de construção nova: por exemplo, Porto, Vila Nova de Gaia, Braga, Coimbra ou Lisboa.
  3. Compare com casas já prontas: o catálogo de apartamentos, por exemplo no Porto, mostra quanto custam os apartamentos da cidade em geral.
  4. Antes de pagar o sinal, verifique o contrato-promessa e a licença do prédio.

Como funciona a compra, do NIF ao notário, está no artigo como comprar casa em Portugal; os preços por zona estão nos artigos zonas do Porto e arredores e zonas de Lisboa e arredores. A nossa equipa ajuda a selecionar empreendimentos e a marcar visitas: fale connosco.

Perguntas frequentes

Quanto custa um T1 novo em Portugal?

No nosso catálogo, a 28/10/2026, o preço mediano de um T0 ou T1 novo no país é de 317 750 €. Até 200 000 € há 149 apartamentos em 1 256, sobretudo no norte e no centro do país.

É possível comprar um apartamento novo em Lisboa por menos de 250 000 €?

Quase não: dos 174 T0 e T1 novos de Lisboa no catálogo, 5 custam menos de 250 000 € e a mediana é de 548 750 €. Com este orçamento, vale a pena olhar para o Porto, os seus arredores e as cidades do centro do país.

Onde estão os apartamentos novos mais baratos de Portugal?

Segundo o catálogo, nos municípios do norte e do centro: Valença (mediana de 159 250 €), Vila Nova de Cerveira (179 000 €), Paços de Ferreira (179 900 €) e Tondela (185 000 €).

O que acontece ao sinal se o promotor não entregar o prédio?

Segundo o artigo 442.º do Código Civil, se o contrato-promessa não for cumprido por culpa do vendedor, o comprador pode exigir o sinal em dobro ou obter em tribunal a própria venda (artigo 830.º). Os prazos de entrega e as consequências dos atrasos dependem do próprio contrato.

Que garantia tem um apartamento novo?

Se o vendedor for um promotor ou outra empresa e o comprador um particular, pelo DL 84/2021 o vendedor responde 10 anos por defeitos estruturais e 5 anos pelas restantes faltas de conformidade que surjam depois da entrega (contratos a partir de 1 de janeiro de 2022).

Fontes

Este artigo é meramente informativo e não constitui aconselhamento jurídico ou fiscal. As taxas e regras mudam — confirme sempre nas fontes oficiais e com um profissional.